quarta-feira, 11 de março de 2009

Sobre a couve e as pequenas vitórias


Semana passada aqui em casa teve um grande acontecimento: o Festival da Couve. Na segunda-feira, passando frio e desesperada, joguei no google: caldo verde receita. Nesse tempo frio a lembrança das madrugadas alimentadas a cerveja gelada e caldo verde foi uma das poucas idéias agradáveis a essas mãos cansadas de cozinhar. Não achei que o dia fosse chegar, mas chegou: não aguentava mais ter que comer 3 a 4 vezes por dia. A logística é quase insuportável pra mim - se compro leite, tenho que comer cereal todos os dias no café por uma semana. Se em alguma bendita quarta-feira da semana do cereal eu quiser um misto-quente, paciência. Papai Noel, eu quero pílulas de astrounauta no próximo Natal.

Até a idéia do caldo verde chegar. Brilhante. Comprei os ingredientes e fiz uma panelada. Mais de 2/3 da couve sobram... e o resto da semana foi regado a suco verde, receita especial da vovó. Correndo um sério risco de começar a fazer fotossíntese a qualquer momento (acontece, gente), eu venci a batalha. Não desperdicei, e o placar final foi couve zero; Ju 1.

Aqui em Nova Iorque, quando por um segundo a cidade não te engole e você tem algum controle sobre ela, o sabor é o mesmo. Como no metrô, nosso grande ponto de encontro com tantos desconhecidos esquisitos (e outros nem tanto). O irmão da Anita me contou certa vez, cheio de orgulho, que estava em um carro específico do trem onde o freio fazia um barulho assustador. Ele se assustou da primeira vez, mas depois de algumas paradas virou macaco velho. Se divertia com os novatos, assustados a cada vez que o trem freiava.

Um desses dias no metrô uma mulher ao meu lado começou a passar mal. Suava frio, não dizia palavra com palavra, e por fim vomitou. A equipe da estação a acudiu e o trem ficou parado por uns bons 10 minutos. Fomos relocados para outro vagão e seguimos viagem; a moça seguia com um agente do transporte metropolitano no vagão vomitado, até a próxima estação. No meu novo vagão, ninguém sabia do acontecido. Todos só experimentaram uma parada longa do trem, e no máximo espiaram de rabo de olho alguma movimentação no vagão ao lado - ninguém se atreveria a perder seu assento. Mas eu sabia. Eu possuía a informação que todos desejavam. Eu era ali, ao menos por aquele momento, a rainha. A rainha do vagão vomitado.

São pequenos prazeres, admito.

3 comentários:

  1. Caracas, Ju... O seu texto conseguiu ficar mais bizarro a cada frase!

    Tô rindo aqui sozinha... Não sei se é porque ainda tô meio dormindo...

    Muito bom, muito engraçado.

    Eu já me senti assim também, quando diante de uma grande vitória: a rainha do vagão vomitado.

    ...

    Não consigo parar de rir!

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  2. Nossa voce me fez lembrar de uns dias que eu passei almoçando e jantando sopa de ervilha,e não foram poucos, eu fui seguir a receita do pacote mas esqueci de ler a quantidade que servia...é horrível cozinhar para uma pessoa só!

    Abraços e parabéns pelo Blog!

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  3. Ju, adorei! Texto leve e divertido.

    Essa semana, pra variar um pouco o café da manhã - o habitual mixto-quente - comprei aquele yogurt griego e lembrei muito de você.

    "Para muitos, o melhor do mundo".

    É verdade, para muitos...

    Beijos!!!

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